quinta-feira, 3 de julho de 2014

Forma e Conteúdo // Liberdade de Escolha

Já há algum tempo tenho observado uma disputa entre as defensoras do parto natural com as pessoas que escolhem passar por uma cesariana.

Li, inclusive, um texto bastante interessante, de quem infelizmente não me recordo a autoria, mas se não estou enganada foi compartilhado do blog "Macetes de Mãe", falando justamente sobre essa guerra.

Em primeiro lugar, quero dizer que não sou militante de uma ou outra causa. O que eu defendo é a liberdade de cada mãe de fazer aquilo que a deixa mais segura, ou até que a faça se sentir "mais mãe".

O que acontece é que ultimamente tem parecido que somente quem faz parto natural é mãe de verdade. Usa-se até o termo "PARTO HUMANIZADO", que pra mim é super ofensivo - quer dizer que quem não tem um bebê por vias naturais não é humano? Ou o parto cesáreo é feito por robôs, ETs ou animais???
Eu acho isso muito triste. Principalmente pelas mães que não optaram pela cesárea, mas tiveram que fazer.

Foi, inclusive, o que aconteceu comigo. Eu planejei o parto normal, mas sempre soube que no meu caso, por causa de um problema de saúde, talvez não fosse muito seguro pra minha filha. De qualquer forma, passei a gestação inteira monitorando e quando chegou o momento, eu e minha médica verificamos que o risco seria maior do que esperávamos e em nome da saúde da minha filha, OPTEI pela cesárea. Sou menos mãe por isso??? Na verdade, eu me senti até mais mãe por isso. Entre mim e minha filha, optei por ela!

Enquanto eu remoía a minha escolha, comecei a refletir sobre a seguinte questão: o parto é apenas o momento em que a criança é trazida ao mundo. É apenas uma FORMA. O que importa mesmo é o bebê! É o CONTEÚDO! Afinal, depois do nascimento ninguém mais se lembra do parto, mas a criança está lá o tempo todo.

Eu penso que, muito mais do que rotular um parto como humanizado em detrimento dos outros, devemos ter uma mentalidade humanizada e não julgarmos as escolhas que cada mãe faz para si e seu filho, afinal, é a ela quem cabe arcar com as consequências daquilo que escolheu.

Sinceramente, eu não acho que uma mãe que optou por fazer cesárea por medo de parir naturalmente seja menos mãe do que aquela que sofreu todas as dores. Ser mais ou menos mãe está no cuidado com a criança, está no dia-a-dia e não apenas naquele momento em que o bebê chega ao mundo!!!



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